Persepolis
Baseado na graphic novel (autobiográfica) e de mesmo nome de Marjane Satrapi, Persepolis conta a história de uma garota que cresceu durante um período caótico para o Irã, período esse que coincidiu com o fim da revolução iraniana e o início da tomada do poder pelos fundamentalistas islâmicos.Quase toda rodada em preto e branco, a animação segue a trajetória de Marji desde que ela tinha 10 anos e ainda era apenas uma garotinha que inocentemente sonhava em ser profeta e em imitar seu grande ídolo, Bruce Lee.
Assim como a revolução, os sonhos também chegam ao fim e a já adolescente Marji passa a se sentir cada vez mais aprisionada em um país que está em guerra e é governado por um regime fundamentalista que mata aqueles que se opõem as suas idéias (como seu tio Anouch) e que censura a liberdade do indivíduo utilizando a força bruta e o medo como formas de repressão.
Temendo que ela pudesse vir a ser presa, Marji é enviada para uma escola em Viena por seus pai, mas ao mesmo tempo em que garantiam a segurança de sua filha, eles também a mandaram para um lugar onde ela viria a se sentir ainda mais isolada por ser uma estrangeira perdida entre pessoas que não a entendiam, que não partilhavam de seus ideais e que a faziam sentir vergonha de ser Irãniana.
Marji sofre para se adaptar a essa nova situação e quando tudo parece que vai começar a entrar nos trilhos, ela se perde no meio do caminho e sem ter a quem recorrer, volta a morar com seus pais e novamente tem que lidar com seus medos e frustrações em um Irã que nem de longe lembra seus tempos de infância e que na verdade está ainda pior do que quando ela fora para Viena.
Essas situações, bem como as atitudes e os conflitos da personagem, são sempre tratados de forma honesta, realista e sensível (seus diálogos com a avó são maravilhosos) e acho que é justamente essa sensibilidade ao tocar em certos assuntos que faz com que Persepolis se torne uma fábula moderna que fala sobre o amuderecimento e a busca por identidade, mas que ao mesmo tempo também nao deixa de ser uma forte crítica ao Irã de hoje e uma linda homenagem ao Irã de um tempo que não volta mais.
Marcadores: Cinema




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